quarta-feira, 19 de maio de 2010

Inauguração da exposição "O papel, esta pele em que me escrevo"

Na Segunda-feira passada, dia 17 de Maio, foi inaugurada a exposição “O papel, esta pele em que me escrevo” pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto, Dr. Rui Rio. A exposição mostra obras do Arquitecto Álvaro Siza Vieira, Armanda Passos e Miguel Veiga. Por volta das 21h30, e a preceder a inauguração da exposição, foi feito um pequeno debate sobre a importância do papel, onde intervieram os artistas, a Professora Doutora Raquel Henriques da Silva, o Dr. Artur Santos Silva e a Presidente da Fundação, Dra. Maria Amélia Cupertino de Miranda. E é com as suas palavras que se faz este apontamento sobre a exposição:

“A ideia desta exposição nasceu a partir de reflexões feitas à volta do papel... do papel-moeda... e do “papel” que os Museus desempenham na nossa sociedade.
Vivemos numa época digital em que o suporte privilegiado da informação e da comunicação é electrónico, relegando-se o papel para segundo plano. Parece quase anacrónico discutir-se, neste contexto, a sua existência.

O papel tem conotações muito diversas. Considerando a sua abordagem física, ninguém poderá questionar a sua importância: tudo o que há de mais valioso, tudo o que queremos guardar para sempre se “agarra” ao papel. Por contraponto ao suporte electrónico que veicula tão bem a informação e a comunicação, o papel é o suporte preferido para tudo o que tem valor e se quer perene. Quer-se o papel para aquilo que fica.

Mas, há outros “papéis”, que não sendo físicos, têm impactos essenciais na vida. Qual o papel do património intangível? Qual o papel dos pintores, dos arquitectos, dos escritores, dos poetas? Que seria de uma sociedade sem arquitectos? Como viveríamos sem escritores e poetas? Será possível vivermos sem dinheiro... de papel?
Todos reconhecemos a sua importância financeira, tem sido ao longo dos séculos indispensável suporte de valores artísticos e históricos. O papel moeda, enquanto obra de arte, narra a nossa história.

E os museus? Qual é, hoje, o seu papel? Serão só um lugar onde se conservam peças? Hoje, há um novo conceito de museu. O Museu do Papel Moeda está em profunda interacção com o meio onde está inserido. Esta relação que se vai tornando cada vez mais complexa, assume características especificas de acordo com os diferentes contextos e grupos.

Ao expor estes trabalhos em papel de Álvaro Siza, Armanda Passos e Miguel Veiga, o Museu do Papel Moeda cumpre o seu papel de mediação e intervenção social, mostrando como é essencial para a construção da noção de identidade, da cidade em geral e da sua zona ocidental em particular, a notoriedade dos seus artistas e a exibição de obras que são capazes de inspirar, de maravilhar e de transformar quem as observa.”


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