quarta-feira, 11 de maio de 2011

Palestra do Dr. João César das Neves na Fundação


“Portugal tem Futuro - A missão dos líderes empresariais cristãos”

Fundação Cupertino de Miranda – Sr. Prof. Dr. João César das Neves

Em tempos conturbados, foi com muito interesse que foi escutada a mensagem do Senhor Prof. Dr. João César das Neves. Uma palestra de ruptura positiva, de profundo alcance, de grande espiritualidade e moralidade, motivadora de uma reflexão séria sobre onde estamos e para onde desejamos ir. Nós, Portugueses, Europeus,
enfim um Ocidente em crise.

MISSÃO E O FUTURO, foi como João César das Neves iniciou a sua excelente apresentação, perguntando: Qual é a missão dos líderes empresariais cristãos? O Papa disse-o aqui no Porto, na sua Homilia: Meus irmãos e irmãs, é necessários que vos torneis comigo testemunhas da ressurreição de Jesus. Na realidade, se não fordes vós as suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar? O cristão é, na Igreja e com a Igreja, um missionário de Cristo enviado ao mundo. Esta é a missão inadiável de cada comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo ressuscitado, para que todas as situações de definhamento e morte se transformem, pelo Espírito, em ocasiões de crescimento e vida.
Perante o espectro das dificuldades lembrou que Portugal hoje é um País rico, quando comparado com muitos outros, ou quando nos debruçamos sobre elementos evolutivos como a alfabetização ou a mobilidade. Portugal é hoje um país rico, com o nosso nível de vida sete vezes superior ao de há 50 anos, duas vezes e meia mais alto que era no 25 de Abril, quase o dobro do que era ao entrarmos na CEE. Se a Inglaterra era um país rico há 25 anos, então Portugal, tendo chegado ao mesmo nível, também o é agora. Portugal era um país pobre nos anos 1950’s. Mas não damos por isso, sendo que mesmo os países ricos também têm problemas e às vezes graves problemas. Quando éramos pobres julgávamos que os ricos não tinham problemas. Mas têm.
Parece que não estamos consciente dessa nossa evolução geral positiva, quiçá esse é o nosso problema!
Somos ricos mas temos que trabalhar, meus senhores!
Temos que trabalhar, e logo como uma 1º tendência na reestruturação da nossa própria economia. O que temos? Uma população a viver maioritariamente dos Serviços (mais de 60%). Não será mau, mas onde está o Valor?

Ou seja, desejamos competir com a Ásia em termos de mão-de-obra? Seguramente que não, já que isso seria com desejar ganhar uma corrida de cavalos, mas correndo com o cavalo às costas!

O nosso futuro, que já é presente, passa exactamente por investirmos na Indústria e Agricultura, de Alta Qualidade.

Apostar na produção de Pouco e com Valor, sim, e Muito e Barato, não!

Aposta clara no Valor Acrescentado, no que aliás Portugal tem hoje muitos e bons exemplos, quiçá anónimos pelo facto do segredo ser a alma do negócio? Infelizmente fala-se pouco em Portugal destas alterações positivas de comportamentos.

Outra tendência tem a ver com a Dívida Bruta, que nos últimos 15 anos passou de 62% para 233% do produto! E porquê? Porque entramos no euro, e como jovens festivos ficamos Todos “Bibiti”! O pior foi a ressaca, alimentando-nos continuadamente com mais dívida! E o que temos vindo a fazer, quando tentamos cortar, é como cortar pequenas fatias, mas de uma bola de neve em permanente movimento!

Entramos no euro, e como jovens festivos ficamos Todos “Bibiti”!

Como uma terceira tendência devemos reflectir sobre a Brutal Perda de Natalidade, ou será que somos uma espécie em extinção tendo em conta a taxa de natalidade por mulher de 1.3. Um problema grave, e grave é o facto de ninguém falar dele. Existem neste momento graves catástrofes demográficas: a reposição das gerações é de 2.1 filhos por mulher, que é o nível dos EUA; a China, com «política do filho único», reduziu a fertilidade para 1,73 filhos por mulher; mas a Europa está abaixo disso, com 1.52; o pior são Rússia e Japão; mas Portugal tem menos que todos esses!
Vivemos hoje uma verdadeira catástrofe demográfica!

E perante este cenário de uma crise Nacional que nos envolve, mas igualmente uma crise Ocidental pergunta:

Qual será a missão dos líderes empresariais cristãos? Fácil: o de anunciar Jesus Cristo, nas condições concretas da vida em que nos encontramos. Ou, pelo erro fundamental que os cristãos cometem ao separarem a sua fé da sua vida, sendo cristãos ao domingo na missa, e no resto do tempo são cristãos bem comportados e isso bastará! Ou, para igual sentido de reflexão interior, referir o que o Papa disse na última encíclica: O espírito empresarial, antes de ter significado profissional, possui um significado humano, está inscrito em cada trabalho, visto como « actus personæ », pelo que é bom oferecer a cada trabalhador a possibilidade de prestar a própria contribuição, de tal modo que ele mesmo « saiba trabalhar ‘‘por conta própria'' ». (CiV 41)

E agora temos uma economia que não cresce e plena de Endividamento, sendo este um dos problemas que nos impede uma recuperação rápida. Do endividamento que gerou a crise, ao endividamento gerado pela crise, até à facilidade do endividamento, Todos nos deixamos endividar, e desde 1995!
Mas ao mesmo tempo em que andamos muito ocupados a dizer mal deste mundo e deste sistema, mundo com uma economia mundial em recuperação e onde vamos outra vez ouvir falar de choque do petróleo e até de outras matérias-primas, ele está a eliminar a pobreza de uma forma espantosa:

• Foram arrancados à situação de pobreza 500 milhões de pessoas nos últimos dez anos, 1500 milhões nos últimos 25 anos.
• Quem fez isto não foi a Caritas ou a ajuda ao terceiro mundo. Foi a globalização e o acesso ao crédito
• Não existe qualquer dúvida que o sistema capitalista em geral e a globalização em particular são responsáveis pelo maior alívio da pobreza que alguma vez a humanidade viu. Sobretudo nos países mais pobres
• Não existe dúvida que o sistema capitalista e a globalização são responsáveis pelo mais vasto diálogo entre os povos, abertura e harmonia que já se viu.

O mundo está diferente e temos de o enfrentar!

Como remate final de uma excelente palestra há duas lições importantes a aprender:

• Como Empresários, é fundamental aprender que é nas empresas que se decidem as coisas e não vale a pena estar a dizer mal do governo!
• Cada um de nós vai resolver os problemas nas nossas empresas, que são os problemas difíceis, já que os fáceis, esses são seguramente resolvidos pelos professores e pelos políticos!
• As empresas não têm problemas, mas “Oportunidades de Negócio”.
• “Oportunidades” que ou nós sabemos aproveitá-las, ou outros as aproveitarão!
• Um dos principais problemas da raça humana é ter de comer todos os dias, passar várias horas por dia a dormir, não voarmos. Os principais sectores produtivos existem para resolver esse problema e ganham dinheiro por causa disso!
• Se amanhã, por milagre, nós ficássemos livres disso, seria a ruína económica!
• Os bons empresários são os que vencem as crises e aproveitam as Oportunidades!
• Os que ganham os prémios do empresário do ano normalmente trabalham em empresas que até um cão geria bem!

• Como Cristãos, aí o nosso dever é não perder a cabeça, porque: «Sabemos em quem pusemos a nossa confiança»!


Portugal tem Futuro.

O nosso muito obrigado ao Sr. Prof. Dr. João César das Neves. Bem-haja.


ACEGE – Núcleo do Porto

David Forrester Zamith

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